sábado, 31 de julho de 2010

Pele na melhor idade

Estamos em pleno século XXI. Vivemos uma época em que a população na chamada “terceira” ou “melhor” idade está plenamente atuante, inserida na sociedade em que vive. Ótimo: estamos vivendo mais. Precisamos viver bem.
Com alguns cuidados simples, você pode contornar facilmente as alterações cutâneas próprias desta etapa da vida.
Hidratação: na terceira idade, existe uma diminuição da atividade sebácea que é fisiológica. A pele fica mais fina, tanto que pequenas batidas podem deixar manchas roxas bem chamativas. Assim, procure caprichar mais no hidratante, pois a pele ressecada frequentemente coça e incomoda. Cabem aqui as dicas para o banho que vimos em outro post. Elas valem muito nestes casos.

Cabelos: ficam menos volumosos. Além disso, a tintura usada para esconder os brancos provoca ressecamento. Vale usar shampoos e cremes adequados, mas uma queda de cabelos importante deve motivar uma consulta ao dermatologista, pois muitas vezes ela pode sinalizar problemas de saúde mais sérios.
Unhas: ficam mais frágeis nesta fase da vida. Quem usar esmalte deve optar por removedores sem acetona, pois esta acentua o ressecamento. Porém, alterações das unhas também devem ser vistas pelo dermatologista. As micoses de unha são de fato mais freqüentes entre os idosos, mas o tratamento deve ser sempre selecionado caso a caso. Não é raro o paciente nos chegar após ter usado antimicóticos por muito tempo e ser descoberto com o médico que este tratamento estava errado. Nem toda alteração de unha é provocada por fungo.
Alterações solares: a pele clara é mais sensível aos danos provocados pela exposição solar excessiva e desprotegida. Mas mesmo as pessoas mais morenas devem usar proteção solar adequada, devido às falhas da camada atmosférica de ozônio. O dano solar pode provocar rugas e flacidez cutânea, além de alterações pré-cancerosas que merecem tratamento individualizado. Mesmo o câncer da pele pode ser facilmente curado se for diagnosticado a tempo. Por isso, atenção especial se você trabalha exposto ao sol: agricultura, construção civil, guardas de trânsito, salva-vidas, e demais profissionais que ficam bastante na rua.

É isso! Idade não é doença. Velho é o seu preconceito.

sábado, 3 de julho de 2010

suas mãos merecem atenção e carinho

Dizem que as mãos denunciam a idade mais que o rosto. Na realidade, fazem muito mais. Nos ajudam a trabalhar, seguram objetos, estendem-se ao necessitado, afagam o amigo... Não achei que este blog fosse tomar contornos poéticos, mas é bom para suavizar a vida.
Se tem um trabalho que sacrifica muito as mãos é o trabalho doméstico. TRABALHO, viram? Acho o fim quando uma dona de casa me diz que não trabalha. Ela trabalha à beça. Só não é remunerada e muitas vezes não é reconhecida.
Mão de dona de casa sofre. Forno quente, água fria na pia, excesso de umidade, cortes com facas amoladas e os mais diversos produtos de limpeza que a indústria está sempre lançando. O problema é que estes produtos foram feitos para limpar A CASA, e não A PELE. E, contrariando o que diz a propaganda, produto de limpeza estraga as mãos, sim senhora. Muitas vezes a palma das mãos vai ficando espessa, com acentuação de seus sulcos naturais e inchaço ao redor das unhas. O inchaço ao redor das unhas, que pode estar acompanhado de outras alterações, é o que o povo costuma chamar de unheiro. Trata-se de candidíase, ou seja, a infestação por um fungo chamado Candida (pode haver bactérias envolvidas também), e é decorrente do excesso de umidade nas mãos. As alterações na palma das mãos significam agressão crônica provocada por estes produtos de limpeza.
É fundamental proteger as mãos destas agressões. Porque ficam feias e ásperas, mas também porque elas podem ser porta de entrada para doenças mais sérias.
Portanto, amiga dona de casa, use luvas para lavar louças, lavar roupas no tanque e usar produtos de limpeza em geral. Que luvas? As de látex. Fundamental que sejam forradas por dentro. Não servem luvas cirúrgicas nem as luvas usadas atualmente para manipular alimentos. Se você for alérgica a látex, procure luvas especiais que não contenham látex. São um pouco mais caras, mas vale a pena. Acostume-se devagar a este novo hábito. Use uma forração de borracha no fundo da pia, se for preciso, para evitar que você quebre a louça. Coragem, você consegue. Uma coisa que costuma ajudar é esperar a pia ter um pouco de louça para então calçar as luvas e lavar tudo. E solicitar a preciosa colaboração da família, nem que seja para pequenas coisas, como lavar o copo em que beberam água ou o prato em que comeram. Nada demais. Eles conseguem. Como diz a minha avó, a "buchinha" (esponja de louça) não morde
Outra coisa: resista heroicamente à tentação de lavar as mãos com o que estiver na pia da cozinha (detergente, sabão em pedra e afins). Lembrando, estes produtos são para limpar a casa, não para nos limpar. São chamados de irritantes primários, porque agridem qulquer pele. Por exemplo, não existe ninguém alérgico a água sanitária. Qualquer um que use água sanitária sem se proteger estará agredindo a pele. É até interessante ter sabonete e toalha para as mãos na pia da cozinha, se isso facilitar a sua vida.
Depois do serviço feito, use um creminho de mãos e pronto. Não adianta nada a sua casa estar um brinco e as suas mãos, um caco.

sábado, 26 de junho de 2010

cuidados com os pés

Este post vale para todos, mas tem especial utilidade para quem tiver perda de sensibilidade periférica (exs. corta-se e não sente). Uma causa frequente é o diabetes mellitus. Aliás, muitos diabéticos sequer sabem que são diabéticos e isso é bem sério.
Após sair do banho, procure secar bem seus pés, especialmente os espaços entre os dedos, e procure notar se existem frieiras ou outra alteração, caso existam procure o médico para ser examinado e medicado. Por uma simples frieira podem entrar infecções mais sérias, não vacile.

O momento em que você sai do banho também é o melhor momento para cortar as unhas. Mantenha-as curtas, mas não exageradamente (no "sabugo"). E não corte os cantos. Qualquer alteração nas unhas também deve ser examinada pelo médico, que indicará um remédio adequado.

Procure não usar lixa nas plantas dos pés. A aspereza desta região pode perfeitamente ser resolvida com cremes hidratantes adequados. Rachaduras, especialmente as que sangram, devem motivar uma consulta ao médico.

Use sapatos confortáveis, evite os de bico fino, bem como saltos muito altos o dia todo. Sacuda bem os sapatos antes de calçá-los, para remover qualquer pedrinha. Você pode não perceber a pedrinha se tiver alteração da sensibilidade. Aí, a pedrinha vai ficar o dia inteiro machucando seu pé. Pode até criar feridas. Cuidado.

Procure não usar o mesmo sapato dois dias seguidos, especialmente no caso de sapatos fechados. Deixe-os arejando 24 hs antes de usar novamente.

Vamos recapitular o que foi dito no início. Se você encontra um machucado (um corte, por exemplo) e não sabe como aconteceu, NÃO SENTIU acontecer, isso é a alteração de sensibilidade. Causas mais comuns: diabetes, alcoolismo, hanseníase. Procure o médico para investigar.

Faltou falar aqui das calosidades. Mas elas merecerão um post à parte.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

o banho.

Iniciando a série sobre cuidados de rotina: o banho. Delícia, né? O banho diário é, na minha opinião, um dos melhores hábitos dos brasileiros. Eu sei que você faz isso deste criança, mas vamos dar umas dicas bem boas, espero que goste.
Primeira: a temperatura da água. Eu sei que às vezes é difícil, mas a água do banho não deve ser muito quente. Água quente resseca demais a pele. E pele seca coça. Assim, atenção se você tem a pele especialmente seca: terceira idade, atópicos, pessoas com ictiose (estes dois eu vou explicar melhor em outros posts).
Segunda: a quantidade de banhos no dia. Quem mora no Brasil ou outras regiões quentes sabe o quanto vale um banho extra num dia de calorão. A minha dica é: só um banho no dia deve levar sabonete, pois o excesso de sabão remove excessivamente o manto lipídico da pele, tornando-a ressecada. Reforçando: pele seca coça. Para algumas pessoas precisamos limitar mais ainda o uso do sabonete, mas para a população geral, uma vez ao dia está de bom tamanho.
Terceira: sabonete de boa qualidade, por favor! Eu dou preferência ao líquido, é muito mais higiênico. Mas se você usar sabonete em barra, uma coisa muito útil é deixá-lo numa saboneteira como a da foto, em que possa escorrer e ficar sequinho. Isso evita proliferação de bactérias no sabonete. e faz com que ele dure mais.
Quarta: a lavagem dos cabelos. Use o shampoo de sua preferência, ou aquele que foi indicado pelo médico, se for o caso. Espalhe-o na mão e depois no cabelo, massageando com as pontas dos dedos. Enxague bem e depois, se você tiver cabelo grande, use um condicionador, apenas nas pontas, ou seja, da orelha para baixo. Condicionador na raiz do cabelo aumenta a oleosidade e a caspa. Enxague o condicionador, prenda o cabelo para cima usando uma "piranha" de plástico e só aí lave o corpo. Isso evita vestígios de creme na pele, o que pode agravar casos de acne. E modere a quantidade de condicionador, excesso não ajuda nada. No caso dos cabelos curtos, seja beeem econômico neste quesito. Muitas vezes um shampoo tipo dois-em-um resolve a questão. Ou só shampoo mesmo.
Quinta: a secagem. Use uma toalha que absorva bem a água para secar o corpo e os cabelos. Não esqueça as dobras da pele. Atenção especial aos pés. Seque cuidadosamente dedinho por dedinho para evitar frieiras, que coçam bastante. Este é um bom momento para usar o hidratante. Eu prefiro os sem perfume, hidratam melhor e trazem menos risco de alergias. Para os cabelos, o ideal é não usar secador todo dia para não queimar os fios. O mesmo vale para chapinhas, babyliss e coisas do tipo. Procure fazer no cabeleireiro um corte prático de que possa cuidar em casa sem grandes trabalhos. Um corte que tire o melhor proveito do seu cabelo do jeito que ele é. Aceite seu cabelo e viva em paz com ele.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Biópsia de pele: quando é preciso olhar bem de perto

Estou escrevendo este post para desmistificar de uma vez por todas a biópsia de pele. Normalmente, quando a gente comunica o paciente que vamos precisar biopsiar, esta notícia é rebecida com alguma preocupação. Primeiro, porque em outras especialidades, a biópsia está frequentemente associada à suspeita de câncer. Segundo porque imagina-se que seja um procedimento complicado ou doloroso. Gente, vamos entender o seguinte: pele não aparece em radiografia. Assim, muitas vezes a biópsia é a forma que se tem de examinar a pele mais a fundo quando isso é necessário para formular o diagnóstico. Por outro lado, o acesso à pele é muito mais fácil que o acesso a outros órgãos. A biópsia é realizada numa sala simples, com anestesia local. Podemos usar um punch, um instrumento que parece uma caneta sem carga e que remove uma rodelinha de pele (veja ilustração) ou um bisturi cirúrgico comum. Tiramos um pedacinho pequeno de pele, colocamos no fixador e damos pontos se for preciso. Isso em regime ambulatorial, ou seja, não é preciso ficar internado. Mandamos este pedacinho para o laboratório, eles examinam no microscópio e nos mandam a resposta com aquilo que viram, muitas vezes até dão o diagnóstico. Fica cicatriz? Fica. Sempre que se corta algo, fica uma cicatriz, não se engane! Mas procuramos deixar uma cicatriz bastante discreta, escondidinha, nada estigmatizante. Importante é ter o diagnóstico. Não tenha medo.

sábado, 12 de junho de 2010

você é responsável pela sua cura - parte 3: pele e mente

Existe um capítulo inteirinho na dermatologia dedicado às dermatoses influenciadas pelo estado mental: a psicodermatologia. Imaginem a importância do tema! Diversas explicações foram propostas para isso. Uma que eu considero bem interessante é a embriológica. Acontece que quando somos embriões no ventre de nossa mãe (fase em que muitas vezes nossa mãe nem desconfia que a gente existe), o mesmo tipo celular, chamado de ectoderma, origina a pele e o sistema nervoso central. Mas também é fato que a nossa pele é o grande órgão com o qual temos contato direto. Assim, muitas vezes ela é feita de "saco de pancadas", nela descontamos o que não está bem na mente. Injustiça! Mas é assim. Uma professora minha da UFRJ diz que não existe justiça biológica e eu concordo plenamente com ela.
A título de ilustração, vejamos algumas dermatoses influenciadas pelo estado mental: psoríase, vitiligo, eczema atópico, alopécia areata.
Isso significa que muitas vezes para melhorar da pele, você vai precisar melhorar a mente. Pode ser necessária ajuda de um terapeuta. Atividade física também pode ser útil, porque ajuda a descarregar adrenalina. Mas tem que ser uma atividade prazerosa, não pode ser uma coisa que você detesta fazer, senão o tiro sai pela culatra. Amigos podem ajudar. Música também. Mas é muito importante você acreditar francamente no sucesso do tratamento. Confiar em quem está te tratando, seguir as prescrições e ter uma atitude mental positiva são mais importantes do que a gente pensa. Aqui é importante observar o seguinte: a diferença entre cura e remissão. Cura significa que a causa do problema foi removida. Exemplo: você tem uma pneumonia bacteriana. Toma antibióticos, outos medicamentos de suporte, a bactéria morre e pronto, lá está você novinho em folha. Remissão é quando a causa do problema não pode ser removida, mas você pode ficar sem os sintomas. Exemplo: obesidade. Você está acima do peso, faz um tratamento bem orientado e recupera o peso nomal. Mas se bobear, se comer errado, engorda novamente! Em muitos casos de doença de pele, não se pode remover completamente a causa. Aliás, é comum que não se conheça exatamente a causa. Por isso muitos médicos dirão: não tem cura. Mas você pode ficar com a sua pele limpinha por muito tempo, até para o resto da vida. Ou seja: você está em remissão. Não é bom? Não é isso que a gente quer, ficar com a pele livre daquilo que tanto nos incomoda? Então, sinceramente: afaste este medinho, este "e se" a doença voltar, "e se" não der certo... Vai dar certo, acredite! Tenha fé. Se você não tem religião nenhuma, tenha ao menos fé na capacidade do seu organismo de se regenerar. Se é a sua criança que está doente, ou alguém que dependa de você, ou confie muito em você, ajude com palavras de estímulo e otimismo. Não é balela, funciona muito mais do que você imagina. Havendo qualquer contratempo, seu dermatologista estará lá para te ajudar.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

você é responsável pela sua cura - parte 2: levando as crianças ao médico


Como dermatologista, atendo gente de todas as faixas etárias. Há médicos que preferem não atender crianças, mas eu acho bem divertido. Aliás, as frases engraçadas que elas dizem já inspiraram vários livros. Se as coisas transcorrem do jeito certo, a experiência pode não ser tão desagradável para o seu pequeno.
Em primeiro lugar, assim que a criança entra na sala, gosto que ela mesma fale o que aconteceu ou o que sente. Do jeito dela, com as palavras dela. Claro, depois eu vou ouvir o responsável, mãe, pai, quem seja, mas acho bem importante a criança aprender a se expressar, afinal quem sente é ela. Acho também que se ela tem alguma pergunta, deve ser incentivada a fazer. Prometo que respondo.
Segundo: criança apronta. É normal, ora! Você também aprontava. Eu sei que às vezes o seu pequeno pode te tirar do sério, mas tentar corrigí-lo com uma ameaça que no fundo não vai ser cumprida funciona ao contrário. Por isso, por favor, não o ameace dizendo que eu ou outra pessoa da Equipe vamos dar uma injeção, por exemplo. Injeção não é castigo. É uma coisa desagradável, mas que em alguns momentos é necessária. Detesto ver aqueles olhinhos tristes me olhando como se eu fosse um monstro sem coração.
Terceiro: às vezes eu faço procedimentos mais invasivos ou dolorosos numa criança. Por exemplo, uma biópsia de pele. Nestes casos, prefiro não fazer o procedimento no mesmo dia, para que a criança seja preparada em casa pelos seus pais, ou quem cuida dela. O que é esta preparação? Você deve explicar à sua criança o que eu começo a explicar no consultório. Que vamos precisar dar uma anestesia, que ela vai sentir uma pequena picada, mas que depois que a anestesia pegar, ela não vai mais sentir dor. Que aquilo é para o bem dela, que depois vai passar, que ela deve ser forte, enfim! Nestas situações, eu deixo o responsável com a criança o tempo todo para que ela se sinta o mais segura possível. No mínimo segurando a mão. Os menores até operam no colinho. (marmanjo não tem tanta moleza...) Por favor, que venha um responsável que transmita segurança, aquele povo que desmaia quando vê sangue não serve. Sua criança precisa de você. Seja forte e ela também será. Muitas vezes fazemos tudo sem grandes problemas. Chorar porque sentiu dor é perfeitamente normal, até marmanjo chora. Mas eu me recuso a fazer o procedimento em situações nas quais seria preciso conter exageradamente a criança, acho isso um horror! Criança não é bicho. Também não gosto de enganar a criança, tipo esconder o fato de que vou aplicar uma injeção. Faço o melhor que posso para tornar o momento o mais suave possível. Quando nada disso funciona, o que fazer? Melhor levar o procedimento para o hospital, combinar com o anestesista e fazer sob sedação. É mais simples do que parece. E bem melhor do que uma sessão medieval de tortura.
Voltando ao capítulo das promessas. Digo mais uma vez: nunca prometa à sua criança (nem a ninguém, afinal de contas!) uma coisa que você não vai cumprir. Um dia destes uma auxiliar que trabalhava comigo me pediu para tirar um "sinal" das costas de sua filha de 5 anos. A lesão era benigna e eu expliquei que o procedimento era eletivo, ou seja, algo que não tem pressa para acontecer. Expliquei também como ela deveria preparar a menina. Mas... ela escondeu um pequeno detalhe, a injeção. Quando a menina viu a agulha, começou a se debater e eu disse à mãe que daquele jeito não ia rolar, enfim. Mas o melhor veio depois. A mãe prometeu à criança que se ela fizesse a cirurgia, ganharia um chocolate. Ela fez a cirurgia? Não. Ela ganhou o chocolate? Sim. Que tipo de educação é essa?