domingo, 5 de fevereiro de 2012

dia do dermatologista


5 de Fevereiro é nosso dia, sabiam? Parabéns a todos nós, que Deus possa nos iluminar sempre para bem servir nossos clientes e colegas.

domingo, 20 de novembro de 2011

Ser médico ainda vale a pena.

Ontem assisti uma entrevista na TV com uma médica chamada Vera Cardim, a quem cumprimento aqui por tudo o que faz. Ela trabalha com cirurgia craniofacial e é idealizadora e presidente do grupo FACE, que atende em São Paulo no Hospital Beneficência Portuguesa.
Para ser considerado cirurgião craniofacial, o médico, que já estudou 6 anos de Medicina, estuda mais 2 anos de Cirurgia Geral, 3 anos de Cirurgia Plástica e 2 anos de Cirurgia Craniofacial. Com pelo menos 3 provas de residência pelo meio. Ou seja, eu que tenho só 6 de Medicina, 2 de Dermatologia e 2 de Estética Médica acabo me sentindo meio... "analfa"! Mas tudo bem, no peito dos "analfas" também bate um coração. Eu chego lá...
Mas voltando: o grupo FACE atende pacientes pelo SUS de todo o estado de São Paulo. Poderiam atender mais, mas agora o SUS dificulta que um paciente seja atendido fora de seu estado de origem, mesmo que o seu estado de origem não disponha do atendimento de que ele precisa (hey...como assim?). Mais ainda: os planos de saúde não costumam cobrir este tipo de cirurgia, que costuma ser cara para a imensa maioria dos mortais. Sendo assim, a dra Vera "sobrevive" da Cirurgia Plástica dita "convencional" e tem a Cirurgia Craniofacial como seu... esporte caro! De novo... como assim??? Quanta gente mais poderia ser beneficiada se quem tem uma especialidade tão linda e tão exigente pudesse se dedicar exclusivamente a ela, à assistência, ensino, pesquisa ou o que fosse. E ser adequadamente remunerado por isto, para manter seu padrão de vida, e não ganhar os valores irrisórios que o SUS e os convênios nos pagam pelo nosso trabalho. Pergunte a uma criança que nasceu com uma deformidade craniofacial e foi agraciada com uma ou diversas destas cirurgias o quanto ela foi beneficiada. São situações em que na ausência de tratamento, o cérebro não teria espaço para crescer ou a face teria deformidades que tolheriam seriamente o convívio social. Dentre outras tantas. Quanto esta criança ou esta família pagariam se pudessem?
Por outro lado, nós médicos também temos despesas, contas para pagar e outras trivialidades. Quando o SUS ou os convênios diminuem drasticamente o valor do nosso trabalho, a responsabilidade que nosso trabalho traz não diminui na mesma proporção.
A reflexão que gostaria de deixar aqui é: PARA ONDE ESTAMOS INDO?
Site do grupo FACE: www.facebrasil.org.br
Parabéns, parabéns queridos! Nem os conheço, mas como os amo, como torço, como quero ajudar! Se precisarem de mão, seguro um ferro que é uma beleza! Onde é que eu me escovo?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cuidar da pele é para todos!

Caros leitores, o assunto deste blog é vida saudável e é voltado a todo e qualquer público. Mas quando a gente entra num tema como cuidar do rosto, sempre tem alguém dizendo que isto é coisa só para mulheres, que macho não passa creminho na cara, etc. etc. Como eu já disse em outros posts, cuidar da pele pode fazer a diferença em diversas situações na vida. Uma pele bem cuidada traduz alguém seguro de si e com auto-estima. Mas... e se alguém souber? E se fizerem comentários maldosos? E se...? Querido! Este tipo de comentário maldoso traduz uma mente fechada, incapaz de assimilar novas e modernas idéias. Ou falta do que fazer. Além do mais, é impossível agradar a todos por todo o tempo. Cuide da sua pele, pois só você pode fazer isso e é uma maravilha olhar no espelho e gostar do que vê. É muito bom estar cheiroso, com uma pele viçosa, um belo sorriso, é ou não é? Quanto às tolices dos outros, relaxe! Aperte o botão do F... e seja feliz, que a vida é curta, tá?

domingo, 11 de setembro de 2011

Tipos de pele do rosto: com vocês, a zona T!

Com certeza vocês já viram este tipo de descrição em vários lugares e vale a pena explicar melhor para vocês saberem o que comprar, pois este é um detalhe que faz toda a diferença. Como eu falei no post anterior, o rosto é um dos lugares em que a pele tem mais glândulas sebáceas. E o lugar do rosto que tem mais glândulas sebáceas é a zona T, ou seja: fronte, nariz e queixo. Assim, podemos classificar a pele do rosto como:
Oleosa: é um rosto que brilha por igual, os poros são mais visíveis e abertos, existe tendência a acne.
Seca: é o oposto, mais opaco, poros fechados, com tendência a aparentar envelhecimento.
Mista: é oleosa na zona T e seca no restante do rosto.
Normal: é toda equilibrada, na medida certa, sem excessos. Aqui entre nós, um luxo!
Dicas para facilitar:
1. Geralmente as pessoas mais idosas terão a pele mais ressecada que as mais jovens.
2. Geralmente os homens terão a pele mais oleosa que as mulheres.
Mas tudo isso a grosso modo, nem sempre é fácil fazer esta classificação. Por exemplo: uma pessoa pode ter o rosto descamando porque está ressecado ou porque está oleoso. Vale testar o produto antes e ver como você se sente. O certo é a pele absorver rapidamente e você não se sentir melecado o dia todo.
Usem estas dicas para comprar cremes, maquiagem, protetor solar e tudo o que forem usar no rosto.

Cuidar do rosto: isso não é frescura, viu?

A pele não é igual no corpo todo. O rosto é uma das áreas mais ricas em glândulas sebáceas e é interessante cuidar dele de forma especial. É ele que te apresenta para o mundo. É com ele que você sorri. Uma boa fisionomia pode te dar um emprego, fechar um negócio, ou iniciar um romance. Já pensou? Seja você homem ou mulher, vale a pena dedicar um tempinho umas duas vezes ao dia para estes cuidados.
Passo 1: Limpeza. O nome já está dizendo, serve para retirar impurezas, ou a maquiagem, se for o caso. Existem sabonetes e loções especiais para isso. Sem essa de sabonete barato, feito de sebo de animal e soda cáustica, por favor!
Passo 2: Tonificação. O tônico serve para uma limpeza mais profunda e também para equilibrar o pH da pele. É fresquinho, muito bom mesmo! Um bom tônico não deve conter álcool, pois o álcool resseca demais a pele. Pode ser aplicado com algodão, com gaze, com um lenço de papel ou com a mão mesmo. Cada um se ajeita de uma forma.
Passo 3: Hidratação. Serve para deixar o rosto mais macio e, se for o caso, pronto para a maquiagem. Durante o dia, opte por um que tenha protetor solar. À noite, um com nutritivos. Você vai sentir a diferença!
Este é o básico, ok? Pode ter mais coisas, como um antiidade ou algo para a área dos olhos. Cada caso é um caso. Vale lembrar ainda duas coisas:
Uma: Estes produtos devem ser adequados ao seu tipo de pele: normal, seca, mista ou oleosa. Vou explicar isto com detalhes em outro post. Mas seu dermatologista pode ajudar.
Duas: Se você estiver usando alguma medicação para alguma doença de pele que esteja afetando o rosto, pergunte ao dermatologista como você pode adaptar esta rotina diária ao tratamento que você está fazendo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

tatuagens, body-piercings, etc.

Esse post talvez não agrade todo mundo, mas fazer o que? O blog é meu, a opinião é minha, hahaha! Brincadeiras à parte, acredito que este tema mereça um pouco de reflexão. Bom, estas técnicas, estas formas de adornar o corpo remontam de muitos muitos anos atrás. São utilizadas por muitos grupos tribais, sem falar nas tais "tribos urbanas", como punks, góticos, emos, etc e tal (põe etc e tal nisso, cada hora aparece uma nova tribo urbana). Mas o que eu preciso dizer como médica é que este tipo de procedimento TEM RISCO. Se não for feito com a necessária higiene, digo higiene cirúrgica mesmo, o risco de infecção é real. Também, a cicatrização pode não ser boa, quem tem tendência pode desenvolver hipertrofia de cicatriz, ou mesmo quelóide, coisa que é uma lenha para desfazer. Piercings colocados em áreas de cartilagem, como a asa do nariz, podem dar uma condrite difícil de contornar e que pode deixar sequelas. Implantes artificiais, então, podem migrar, ou sei lá o que, fazem tanta coisa na tal da body-modification que a lista de complicações cresce exponencialmente. Outra coisa que a gente tem que lembrar é que este tipo de procedimento é, em princípio, DEFINITIVO. O pigmento da tatuagem fica retido na derme e só sai de lá com laser. Se for colorida, mais trabalhoso remover, mais sessões. Pode não ficar 100% como antes. Fora que é muitíssimo mais caro remover do que fazer. Ou seja, gente, reflitam antes de fazer este tipo de coisa. Acho um barato a gente se enfeitar, mas acho um barato poder mudar de enfeite. Meu cabelo pode ter um novo corte, uma nova cor. Minhas unhas, ora estão vermelhas, ora estão rosa. Por que fazer uma coisa que não vai sair nunca mais? Há muitos anos atrás, eu cuidava de uma família, a mãe e duas filhas gêmeas de 16 anos. Um belo dia, esta inocente mãe entrou no quarto da fiha e ela estava se trocando. "Filha, está sujo aqui." Mas o "sujo" não saiu. A menina tinha tatuado um escorpião nas costas! Você que é mãe, pense: você cria o seu bebê, com carinho e com amor. O melhor leitinho, as melhores fraldinhas, um quartinho fofo... E 16 anos depois, seu bebê tatuou um escorpião nas costas! É de lascar! Ou seja: menor de idade tatuado, NEM PENSAR. Talvez apenas um simples brinquinho em cada orelha, se for menina. Só, só, só. Se seu filho menor de idade aparecer tatuado, não hesite em processar quem tenha feito isso.

terça-feira, 5 de abril de 2011

o perigo da automedicação


Este post é um puxão de orelhas para boa parte dos brasileiros. Gente, eu sei que o nosso sistema de saúde pública é mega-deficitário (o governo também merece um puxão de orelhas), que nem sempre é fácil ter acesso a um serviço de saúde,mas por favor, resistam ao máximo à tentação de tomar qualquer medicação sem terem sido avaliados por um médico. É sério. Quando você vai à farmácia, encontra um balconista todo solícito, sorridente, que vai te "empurrar" qualquer coisa, mesmo que ele não saiba exatamente o que você tem, nem como te medicar porque o que ele quer é VENDER. É preciso que se saiba que nem todo profissional que está atrás do balcão da farmácia é um farmacêutico. Farmacêutico fez curso superior de farmácia, é uma profissão com várias habilitações, dentre as quais ser responsável por uma farmácia ou drogaria. Nem sempre está atrás do balcão. Aliás, geralmente não está. Mais ainda: um farmacêutico verdadeiramente responsável não medica qualquer um de qualquer jeito, geralmente encaminha você a um médico, ou interage com seu médico, integrando a equipe multidisciplinar de saúde. Estou dizendo isso porque a maior parte dos pacientes que procuram um dermatologista já passaram algo na pele que alguém indicou e esse alguém não era médico. Resultado: gastam dinheiro com coisa que não resolve e frequentemente só piora as coisas. E nós temos que começar o tratamento consertando erros. Não que médico não erre. Não somos deuses. Aliás, quando erramos é um problemão. Por isso estudamos tanto. Por outro lado, se um balconista de farmácia te medicar errado, sabe o que acontece? Na prática, nada. A meu ver, ele deveria responder por exercício ilegal da medicina, além de responder pelos danos causados ao paciente. Mas o que acaba acontecendo é que o paciente "põe a viola no saco" e finalmente procura o médico. Ou seja: ir ao médico acaba sendo uma forma de "cortar caminho". E de evitar gastar dinheiro em coisa que não vai resolver.

quarta-feira, 30 de março de 2011

o valor do dinheiro - quando o barato sai caro.


Quem lê este blog pode notar que eu tenho dado dicas bem baratas de como cuidar da pele. Mas nem sempre fazer economia é optar pelo mais barato. Nem sempre o melhor é o mais barato. Exemplo: sabonete líquido é mais caro, mas é melhor e mais higiênico. E que tal investir em uns cuidadinhos a mais? Loção de limpeza, um tônico para depois, um hidratante com fotoprotetor, um creminho para as áreas mais ressecadas... Sua pele vai agradecer. Mas sai um pouco mais caro, especialmente se for das melhores marcas. Por outro lado, uma pele melhor cuidada pode ser o diferencial numa entrevista de emprego. É para se pensar. Outras vezes precisamos usar uma medicação mais cara, mas que resolve o problema mais rápido, ou é mais adequada para determinada pessoa. Ou um exame que o plano não cobre, mas vai ser crucial. Enfim. Antes de rasgar a receita, de sair xingando ou sei lá mais o que, repense. Frequentemente a pessoa antes de ir ao médico, busca orientação de amigos, vizinhos, balconistas de farmácia e afins, porque afinal de médico e louco todos têm um pouco! Gasta um dinheirão em soluções ineficazes, mas se sente "economizando" o dinheiro da consulta. Além disso, dê uma olhada no quanto você paga nos juros do cartão de crédito, fazendo o famigerado "pagamento mínimo". Na TV de plasma de 100 polegadas que você parcelou em 50 vezes. O vendedor disse que não tinha juros. E você acreditou! No não menos famigerado empréstimo consignado que você fez por uma coisa que você poderia deixar para comprar depois e agora te carcome um belo naco dos teus ganhos. E quanto você gasta porque tem lâmpadas incandescentes em casa, ou porque o churrasco do fim de semana foi acompanhado de um engradado inteiro de cerveja? E quanto você gasta em cigarro, hein? Além de tudo o que eu falei no post específico, pense que parar de fumar pode representar um senhor alívio para o seu bolso (Pode ser que algum fumante ache que eu estou de marcação... estou mesmo, hahaha! Mas é para o teu bem, cara-pálida!). Conclusão: o problema não é quanto você ganha, mas como você gasta. Saúde financeira faz parte do show.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cigarro e pele

Desde 1993, ajudo as pessoas a cuidar da pele, primeiro na UFRJ como pós-graduanda, depois como profissional. Sempre soube ao observar um paciente se ele fumava ou não, e garanto que não era pelo cheiro. Nunca dediquei-me à pesquisa, sou apenas uma médica assistente, mas algo me dizia que isto que eu observava de forma intuitiva tivesse fundamentação científica. Dia destes em minha rotina de estudos, abri o site da Sociedade Brasileira de Dermatologia e lá estava uma palestra sobre pele e tabagismo, do professor Marcus Maia, da Santa Casa de São Paulo, que fundamenta o que eu sempre observei e nunca pude provar. Sendo o tema de utilidade pública, passo a expor aqui um breve resumo.
A responsável pela dependência física dos tabagistas é nossa velha conhecida: a nicotina. Ela contrai os pequenos vasos sanguíneos da pele, tornando-a pálida e opaca. Além disso, o cigarro tem uma substância chamada monóxido de carbono, a mesma que sai do escapamento dos carros. Esta substância ocupa no sangue o lugar que deveria ser ocupado pelo oxigênio, fundamental para a nossa subsistência. E ocupa de forma irreversível. Ou seja, quem fuma vive o tempo todo em hipóxia, em carência de oxigênio. Isso altera as fibras colágenas e elásticas da pele. Em conseqüência, o cigarro provoca um envelhecimento muito mais marcante que o sol. Ainda, a cicatrização é bastante afetada, o que prejudica inclusive os bons resultados de cirurgias e procedimentos estéticos. O cigarro também interfere na imunidade, o que afeta o prognóstico de tumores de pele e de outros órgãos. Marcadamente, o câncer de boca é bem mais freqüente em fumantes, e mais ainda se o álcool também estiver presente.
Saibam ainda que o metabolismo do hormônio feminino é afetado pela nicotina, o que torna as conseqüências do tabagismo piores para nós mulheres. Isso sem falar do prejuízo ao bebê durante a gravidez e aleitamento. Portanto, se é verdade que ninguém deve fumar, mulheres devem menos ainda.
O que mais me impressionou foi um trabalho que eles realizaram junto com a pneumologia que estabelece uma correlação entre as alterações dermatológicas e as alterações pulmonares dos fumantes. Ou seja: quanto mais envelhecida está a pele pela nicotina, mais afetado está o pulmão, no caso pela DPOC, vulgo Enfisema Pulmonar.
Há outras conseqüências, expus apenas algumas delas. Parabenizo aqui publicamente a Equipe da Santa Casa de São Paulo, pelas brilhantes observações. Concordo plenamente que o dermatologista deva juntar-se à luta contra o tabagismo. E alerto a você, caro leitor: NÃO FUME. Cigarro mata. E envelhece também.

sábado, 31 de julho de 2010

Pele na melhor idade

Estamos em pleno século XXI. Vivemos uma época em que a população na chamada “terceira” ou “melhor” idade está plenamente atuante, inserida na sociedade em que vive. Ótimo: estamos vivendo mais. Precisamos viver bem.
Com alguns cuidados simples, você pode contornar facilmente as alterações cutâneas próprias desta etapa da vida.
Hidratação: na terceira idade, existe uma diminuição da atividade sebácea que é fisiológica. A pele fica mais fina, tanto que pequenas batidas podem deixar manchas roxas bem chamativas. Assim, procure caprichar mais no hidratante, pois a pele ressecada frequentemente coça e incomoda. Cabem aqui as dicas para o banho que vimos em outro post. Elas valem muito nestes casos.

Cabelos: ficam menos volumosos. Além disso, a tintura usada para esconder os brancos provoca ressecamento. Vale usar shampoos e cremes adequados, mas uma queda de cabelos importante deve motivar uma consulta ao dermatologista, pois muitas vezes ela pode sinalizar problemas de saúde mais sérios.
Unhas: ficam mais frágeis nesta fase da vida. Quem usar esmalte deve optar por removedores sem acetona, pois esta acentua o ressecamento. Porém, alterações das unhas também devem ser vistas pelo dermatologista. As micoses de unha são de fato mais freqüentes entre os idosos, mas o tratamento deve ser sempre selecionado caso a caso. Não é raro o paciente nos chegar após ter usado antimicóticos por muito tempo e ser descoberto com o médico que este tratamento estava errado. Nem toda alteração de unha é provocada por fungo.
Alterações solares: a pele clara é mais sensível aos danos provocados pela exposição solar excessiva e desprotegida. Mas mesmo as pessoas mais morenas devem usar proteção solar adequada, devido às falhas da camada atmosférica de ozônio. O dano solar pode provocar rugas e flacidez cutânea, além de alterações pré-cancerosas que merecem tratamento individualizado. Mesmo o câncer da pele pode ser facilmente curado se for diagnosticado a tempo. Por isso, atenção especial se você trabalha exposto ao sol: agricultura, construção civil, guardas de trânsito, salva-vidas, e demais profissionais que ficam bastante na rua.

É isso! Idade não é doença. Velho é o seu preconceito.

sábado, 3 de julho de 2010

suas mãos merecem atenção e carinho

Dizem que as mãos denunciam a idade mais que o rosto. Na realidade, fazem muito mais. Nos ajudam a trabalhar, seguram objetos, estendem-se ao necessitado, afagam o amigo... Não achei que este blog fosse tomar contornos poéticos, mas é bom para suavizar a vida.
Se tem um trabalho que sacrifica muito as mãos é o trabalho doméstico. TRABALHO, viram? Acho o fim quando uma dona de casa me diz que não trabalha. Ela trabalha à beça. Só não é remunerada e muitas vezes não é reconhecida.
Mão de dona de casa sofre. Forno quente, água fria na pia, excesso de umidade, cortes com facas amoladas e os mais diversos produtos de limpeza que a indústria está sempre lançando. O problema é que estes produtos foram feitos para limpar A CASA, e não A PELE. E, contrariando o que diz a propaganda, produto de limpeza estraga as mãos, sim senhora. Muitas vezes a palma das mãos vai ficando espessa, com acentuação de seus sulcos naturais e inchaço ao redor das unhas. O inchaço ao redor das unhas, que pode estar acompanhado de outras alterações, é o que o povo costuma chamar de unheiro. Trata-se de candidíase, ou seja, a infestação por um fungo chamado Candida (pode haver bactérias envolvidas também), e é decorrente do excesso de umidade nas mãos. As alterações na palma das mãos significam agressão crônica provocada por estes produtos de limpeza.
É fundamental proteger as mãos destas agressões. Porque ficam feias e ásperas, mas também porque elas podem ser porta de entrada para doenças mais sérias.
Portanto, amiga dona de casa, use luvas para lavar louças, lavar roupas no tanque e usar produtos de limpeza em geral. Que luvas? As de látex. Fundamental que sejam forradas por dentro. Não servem luvas cirúrgicas nem as luvas usadas atualmente para manipular alimentos. Se você for alérgica a látex, procure luvas especiais que não contenham látex. São um pouco mais caras, mas vale a pena. Acostume-se devagar a este novo hábito. Use uma forração de borracha no fundo da pia, se for preciso, para evitar que você quebre a louça. Coragem, você consegue. Uma coisa que costuma ajudar é esperar a pia ter um pouco de louça para então calçar as luvas e lavar tudo. E solicitar a preciosa colaboração da família, nem que seja para pequenas coisas, como lavar o copo em que beberam água ou o prato em que comeram. Nada demais. Eles conseguem. Como diz a minha avó, a "buchinha" (esponja de louça) não morde
Outra coisa: resista heroicamente à tentação de lavar as mãos com o que estiver na pia da cozinha (detergente, sabão em pedra e afins). Lembrando, estes produtos são para limpar a casa, não para nos limpar. São chamados de irritantes primários, porque agridem qulquer pele. Por exemplo, não existe ninguém alérgico a água sanitária. Qualquer um que use água sanitária sem se proteger estará agredindo a pele. É até interessante ter sabonete e toalha para as mãos na pia da cozinha, se isso facilitar a sua vida.
Depois do serviço feito, use um creminho de mãos e pronto. Não adianta nada a sua casa estar um brinco e as suas mãos, um caco.

sábado, 26 de junho de 2010

cuidados com os pés

Este post vale para todos, mas tem especial utilidade para quem tiver perda de sensibilidade periférica (exs. corta-se e não sente). Uma causa frequente é o diabetes mellitus. Aliás, muitos diabéticos sequer sabem que são diabéticos e isso é bem sério.
Após sair do banho, procure secar bem seus pés, especialmente os espaços entre os dedos, e procure notar se existem frieiras ou outra alteração, caso existam procure o médico para ser examinado e medicado. Por uma simples frieira podem entrar infecções mais sérias, não vacile.

O momento em que você sai do banho também é o melhor momento para cortar as unhas. Mantenha-as curtas, mas não exageradamente (no "sabugo"). E não corte os cantos. Qualquer alteração nas unhas também deve ser examinada pelo médico, que indicará um remédio adequado.

Procure não usar lixa nas plantas dos pés. A aspereza desta região pode perfeitamente ser resolvida com cremes hidratantes adequados. Rachaduras, especialmente as que sangram, devem motivar uma consulta ao médico.

Use sapatos confortáveis, evite os de bico fino, bem como saltos muito altos o dia todo. Sacuda bem os sapatos antes de calçá-los, para remover qualquer pedrinha. Você pode não perceber a pedrinha se tiver alteração da sensibilidade. Aí, a pedrinha vai ficar o dia inteiro machucando seu pé. Pode até criar feridas. Cuidado.

Procure não usar o mesmo sapato dois dias seguidos, especialmente no caso de sapatos fechados. Deixe-os arejando 24 hs antes de usar novamente.

Vamos recapitular o que foi dito no início. Se você encontra um machucado (um corte, por exemplo) e não sabe como aconteceu, NÃO SENTIU acontecer, isso é a alteração de sensibilidade. Causas mais comuns: diabetes, alcoolismo, hanseníase. Procure o médico para investigar.

Faltou falar aqui das calosidades. Mas elas merecerão um post à parte.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

o banho.

Iniciando a série sobre cuidados de rotina: o banho. Delícia, né? O banho diário é, na minha opinião, um dos melhores hábitos dos brasileiros. Eu sei que você faz isso deste criança, mas vamos dar umas dicas bem boas, espero que goste.
Primeira: a temperatura da água. Eu sei que às vezes é difícil, mas a água do banho não deve ser muito quente. Água quente resseca demais a pele. E pele seca coça. Assim, atenção se você tem a pele especialmente seca: terceira idade, atópicos, pessoas com ictiose (estes dois eu vou explicar melhor em outros posts).
Segunda: a quantidade de banhos no dia. Quem mora no Brasil ou outras regiões quentes sabe o quanto vale um banho extra num dia de calorão. A minha dica é: só um banho no dia deve levar sabonete, pois o excesso de sabão remove excessivamente o manto lipídico da pele, tornando-a ressecada. Reforçando: pele seca coça. Para algumas pessoas precisamos limitar mais ainda o uso do sabonete, mas para a população geral, uma vez ao dia está de bom tamanho.
Terceira: sabonete de boa qualidade, por favor! Eu dou preferência ao líquido, é muito mais higiênico. Mas se você usar sabonete em barra, uma coisa muito útil é deixá-lo numa saboneteira como a da foto, em que possa escorrer e ficar sequinho. Isso evita proliferação de bactérias no sabonete. e faz com que ele dure mais.
Quarta: a lavagem dos cabelos. Use o shampoo de sua preferência, ou aquele que foi indicado pelo médico, se for o caso. Espalhe-o na mão e depois no cabelo, massageando com as pontas dos dedos. Enxague bem e depois, se você tiver cabelo grande, use um condicionador, apenas nas pontas, ou seja, da orelha para baixo. Condicionador na raiz do cabelo aumenta a oleosidade e a caspa. Enxague o condicionador, prenda o cabelo para cima usando uma "piranha" de plástico e só aí lave o corpo. Isso evita vestígios de creme na pele, o que pode agravar casos de acne. E modere a quantidade de condicionador, excesso não ajuda nada. No caso dos cabelos curtos, seja beeem econômico neste quesito. Muitas vezes um shampoo tipo dois-em-um resolve a questão. Ou só shampoo mesmo.
Quinta: a secagem. Use uma toalha que absorva bem a água para secar o corpo e os cabelos. Não esqueça as dobras da pele. Atenção especial aos pés. Seque cuidadosamente dedinho por dedinho para evitar frieiras, que coçam bastante. Este é um bom momento para usar o hidratante. Eu prefiro os sem perfume, hidratam melhor e trazem menos risco de alergias. Para os cabelos, o ideal é não usar secador todo dia para não queimar os fios. O mesmo vale para chapinhas, babyliss e coisas do tipo. Procure fazer no cabeleireiro um corte prático de que possa cuidar em casa sem grandes trabalhos. Um corte que tire o melhor proveito do seu cabelo do jeito que ele é. Aceite seu cabelo e viva em paz com ele.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Biópsia de pele: quando é preciso olhar bem de perto

Estou escrevendo este post para desmistificar de uma vez por todas a biópsia de pele. Normalmente, quando a gente comunica o paciente que vamos precisar biopsiar, esta notícia é rebecida com alguma preocupação. Primeiro, porque em outras especialidades, a biópsia está frequentemente associada à suspeita de câncer. Segundo porque imagina-se que seja um procedimento complicado ou doloroso. Gente, vamos entender o seguinte: pele não aparece em radiografia. Assim, muitas vezes a biópsia é a forma que se tem de examinar a pele mais a fundo quando isso é necessário para formular o diagnóstico. Por outro lado, o acesso à pele é muito mais fácil que o acesso a outros órgãos. A biópsia é realizada numa sala simples, com anestesia local. Podemos usar um punch, um instrumento que parece uma caneta sem carga e que remove uma rodelinha de pele (veja ilustração) ou um bisturi cirúrgico comum. Tiramos um pedacinho pequeno de pele, colocamos no fixador e damos pontos se for preciso. Isso em regime ambulatorial, ou seja, não é preciso ficar internado. Mandamos este pedacinho para o laboratório, eles examinam no microscópio e nos mandam a resposta com aquilo que viram, muitas vezes até dão o diagnóstico. Fica cicatriz? Fica. Sempre que se corta algo, fica uma cicatriz, não se engane! Mas procuramos deixar uma cicatriz bastante discreta, escondidinha, nada estigmatizante. Importante é ter o diagnóstico. Não tenha medo.

sábado, 12 de junho de 2010

você é responsável pela sua cura - parte 3: pele e mente

Existe um capítulo inteirinho na dermatologia dedicado às dermatoses influenciadas pelo estado mental: a psicodermatologia. Imaginem a importância do tema! Diversas explicações foram propostas para isso. Uma que eu considero bem interessante é a embriológica. Acontece que quando somos embriões no ventre de nossa mãe (fase em que muitas vezes nossa mãe nem desconfia que a gente existe), o mesmo tipo celular, chamado de ectoderma, origina a pele e o sistema nervoso central. Mas também é fato que a nossa pele é o grande órgão com o qual temos contato direto. Assim, muitas vezes ela é feita de "saco de pancadas", nela descontamos o que não está bem na mente. Injustiça! Mas é assim. Uma professora minha da UFRJ diz que não existe justiça biológica e eu concordo plenamente com ela.
A título de ilustração, vejamos algumas dermatoses influenciadas pelo estado mental: psoríase, vitiligo, eczema atópico, alopécia areata.
Isso significa que muitas vezes para melhorar da pele, você vai precisar melhorar a mente. Pode ser necessária ajuda de um terapeuta. Atividade física também pode ser útil, porque ajuda a descarregar adrenalina. Mas tem que ser uma atividade prazerosa, não pode ser uma coisa que você detesta fazer, senão o tiro sai pela culatra. Amigos podem ajudar. Música também. Mas é muito importante você acreditar francamente no sucesso do tratamento. Confiar em quem está te tratando, seguir as prescrições e ter uma atitude mental positiva são mais importantes do que a gente pensa. Aqui é importante observar o seguinte: a diferença entre cura e remissão. Cura significa que a causa do problema foi removida. Exemplo: você tem uma pneumonia bacteriana. Toma antibióticos, outos medicamentos de suporte, a bactéria morre e pronto, lá está você novinho em folha. Remissão é quando a causa do problema não pode ser removida, mas você pode ficar sem os sintomas. Exemplo: obesidade. Você está acima do peso, faz um tratamento bem orientado e recupera o peso nomal. Mas se bobear, se comer errado, engorda novamente! Em muitos casos de doença de pele, não se pode remover completamente a causa. Aliás, é comum que não se conheça exatamente a causa. Por isso muitos médicos dirão: não tem cura. Mas você pode ficar com a sua pele limpinha por muito tempo, até para o resto da vida. Ou seja: você está em remissão. Não é bom? Não é isso que a gente quer, ficar com a pele livre daquilo que tanto nos incomoda? Então, sinceramente: afaste este medinho, este "e se" a doença voltar, "e se" não der certo... Vai dar certo, acredite! Tenha fé. Se você não tem religião nenhuma, tenha ao menos fé na capacidade do seu organismo de se regenerar. Se é a sua criança que está doente, ou alguém que dependa de você, ou confie muito em você, ajude com palavras de estímulo e otimismo. Não é balela, funciona muito mais do que você imagina. Havendo qualquer contratempo, seu dermatologista estará lá para te ajudar.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

você é responsável pela sua cura - parte 2: levando as crianças ao médico


Como dermatologista, atendo gente de todas as faixas etárias. Há médicos que preferem não atender crianças, mas eu acho bem divertido. Aliás, as frases engraçadas que elas dizem já inspiraram vários livros. Se as coisas transcorrem do jeito certo, a experiência pode não ser tão desagradável para o seu pequeno.
Em primeiro lugar, assim que a criança entra na sala, gosto que ela mesma fale o que aconteceu ou o que sente. Do jeito dela, com as palavras dela. Claro, depois eu vou ouvir o responsável, mãe, pai, quem seja, mas acho bem importante a criança aprender a se expressar, afinal quem sente é ela. Acho também que se ela tem alguma pergunta, deve ser incentivada a fazer. Prometo que respondo.
Segundo: criança apronta. É normal, ora! Você também aprontava. Eu sei que às vezes o seu pequeno pode te tirar do sério, mas tentar corrigí-lo com uma ameaça que no fundo não vai ser cumprida funciona ao contrário. Por isso, por favor, não o ameace dizendo que eu ou outra pessoa da Equipe vamos dar uma injeção, por exemplo. Injeção não é castigo. É uma coisa desagradável, mas que em alguns momentos é necessária. Detesto ver aqueles olhinhos tristes me olhando como se eu fosse um monstro sem coração.
Terceiro: às vezes eu faço procedimentos mais invasivos ou dolorosos numa criança. Por exemplo, uma biópsia de pele. Nestes casos, prefiro não fazer o procedimento no mesmo dia, para que a criança seja preparada em casa pelos seus pais, ou quem cuida dela. O que é esta preparação? Você deve explicar à sua criança o que eu começo a explicar no consultório. Que vamos precisar dar uma anestesia, que ela vai sentir uma pequena picada, mas que depois que a anestesia pegar, ela não vai mais sentir dor. Que aquilo é para o bem dela, que depois vai passar, que ela deve ser forte, enfim! Nestas situações, eu deixo o responsável com a criança o tempo todo para que ela se sinta o mais segura possível. No mínimo segurando a mão. Os menores até operam no colinho. (marmanjo não tem tanta moleza...) Por favor, que venha um responsável que transmita segurança, aquele povo que desmaia quando vê sangue não serve. Sua criança precisa de você. Seja forte e ela também será. Muitas vezes fazemos tudo sem grandes problemas. Chorar porque sentiu dor é perfeitamente normal, até marmanjo chora. Mas eu me recuso a fazer o procedimento em situações nas quais seria preciso conter exageradamente a criança, acho isso um horror! Criança não é bicho. Também não gosto de enganar a criança, tipo esconder o fato de que vou aplicar uma injeção. Faço o melhor que posso para tornar o momento o mais suave possível. Quando nada disso funciona, o que fazer? Melhor levar o procedimento para o hospital, combinar com o anestesista e fazer sob sedação. É mais simples do que parece. E bem melhor do que uma sessão medieval de tortura.
Voltando ao capítulo das promessas. Digo mais uma vez: nunca prometa à sua criança (nem a ninguém, afinal de contas!) uma coisa que você não vai cumprir. Um dia destes uma auxiliar que trabalhava comigo me pediu para tirar um "sinal" das costas de sua filha de 5 anos. A lesão era benigna e eu expliquei que o procedimento era eletivo, ou seja, algo que não tem pressa para acontecer. Expliquei também como ela deveria preparar a menina. Mas... ela escondeu um pequeno detalhe, a injeção. Quando a menina viu a agulha, começou a se debater e eu disse à mãe que daquele jeito não ia rolar, enfim. Mas o melhor veio depois. A mãe prometeu à criança que se ela fizesse a cirurgia, ganharia um chocolate. Ela fez a cirurgia? Não. Ela ganhou o chocolate? Sim. Que tipo de educação é essa?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

você é responsável pela sua cura - parte 1: a relação médico-paciente


Existe uma verdade em relação aos tratamentos de saúde à qual quase ninguém dá a devida importância: na verdade, senhoras e senhores, quem se cura é o paciente. O médico só ajuda, orienta, dá uma força. Mas se o tratamento não for feito da forma que foi prescrito, nada vai acontecer. Para que isto funcione, é muito importante que se estabeleça uma boa relação médico-paciente. Esta deve ser uma relação de confiança e tudo deve ficar muito claro. Tanto porque você explicou tudo o que motivou a consulta, o seu estado real de saúde, tratamentos que já foram feitos, medicamentos a que possa ter alergia, etc, tanto porque o médico explicou com clareza como o tratamento deve ser feito, quando você deve retornar, etc. Assim sendo, quaisquer dúvidas devem ser esclarecidas o quanto antes. Quando for ao médico, leve toda a medicação que você estiver usando, exames que eventualmente já fez, qualquer dado que possa ser importante. Responda às perguntas que lhe forem feitas com franqueza, lembre-se que o Código de Ética Médica prevê o SEGREDO MÉDICO, ou seja, o que é dito em consulta, não pode ser revelado nem em juízo, a não ser para outros membros da Equipe Multiprofissional que possam ser envolvidos no tratamento (outros médicos, enfermeiros, fisioterapeutas...) ou em outras situações especiais. E não saia do consultório sem se sentir esclarecido sobre o seu problema e como o tratamento deve ser feito. Claro que a Medicina ainda tem várias lacunas, há muita coisa sem explicação, mas o que for possível, deve ser explicado.
Ainda: se é um profissional em quem você vai confiar, o certo é você, digamos, simpatizar com ele. Ele deve transmitir segurança e tranquilidade. Se não sentir isso, mude de médico.
Outra coisa: exame complementar (sangue, radiografias, ultrassonografia, e coisas do gênero) é como o nome diz: complementar. Só deve ser pedido se for necessário para o seu tratamento, a menos aqueles que fazem parte da rotina anual, como por exemplo a glicemia, que diagnostica o diabetes. O mais importante mesmo é a história clínica (o que você conta) e o exame clínico. Por isso não é legal só ir a médico em situações de urgência, no pronto-socorro. No pronto-socorro, o médico não tem condições de avaliar certos detalhes com calma. Ele vai salvar sua vida, aliviar sua dor, mas a rotina é feita no consultório.
Mais uma: resultado de exame complementar é seu, você deve sempre ter uma cópia, é direito seu. O corpo é seu, afinal de contas! E não se constranja em abrir qualquer envelope e ler o resultado se quiser. Só não deixe de trazer ao médico, pois ele também precisa saber como as coisas estão evoluindo.
Uma observação importante: nem tudo pode ser previsto na primeira consulta. O médico ouviu sua história, te examinou, traçou um plano de tratamento o mais cuidadoso possível. E algo inesperado aconteceu. Muitas vezes você inicia o tratamento e a medicação provoca alguma reação adversa, por exemplo. Isso não é culpa sua, nem do médico. Medicina não é ciência exata, às vezes você faz tudo certo, mas algo atrapalha. O que fazer? Mudar de médico? Não necessariamente. Nestas situações, você tem direito de pedir um retorno, voltar ao consultório e relatar o que aconteceu. Algo pode não ter ficado claro na prescrição. A medicação pode estar vencida. Diversas situações. Só conversando mesmo.
Por último: quando você marcar uma consulta, se não puder ir, dê um jeitinho de avisar o quanto antes. É complicado você ter a agenda cheia e alguém faltar sem avisar. Naquele horário que ficou vago, poderia ter vindo alguém que precisasse. Ética é importante dos dois lados.

anexos da pele - parte 4: as glândulas


Temos na derme dois tipos de glândula: as sebáceas e as sudoríparas.
As sebáceas, como já foi comentado, fazem parte do folículo piloso. É interessante saber que elas são mais numerosas na região cental do corpo: couro cabeludo, centro da face, centro do tórax, centro do dorso e região pubiana, além das axilas. Aliás, a fronte, o nariz e o queixo são as regiões da face com mais glândulas sebáceas. É isso que as esteticistas chamam de "zona T" e dizem que esta zona é mais oleosa em quem tem pele mista. Na verdade, esta zona é mais oleosa em todo mundo.
Outra coisa que eu já ouvi e achei hilária foi a declaração de que um determinado produto (não vou declinar qual) atravessa a epiderme e chega até a derme, onde age na musculatura. Gente, a única muscuatura que existe em toda a extensão da derme é a musculatura eretora dos pelos, ok? Por isso eu costumo dizer que este produto é arrepiante!
Mas voltando às nossas glândulas. Além das sebáceas, temos também as glândulas sudoríparas, que têm uma função importantíssima de regular a temperatura do nosso corpo. Temos dois tipos de glândulas sudoríparas: as écrinas e as apócrinas.
As glândulas écrinas existem por todo o nosso corpo, especialmente palmas das mãos, plantas dos pés e axilas. O suor delas é claro e sai à superfície pelo que se costuma chamar de poros.
As glândulas apócrinas existem principalmente nas axilas, virilhas e região perianal. Ficam anexas aos pelos destas regiões, e produzem uma secreção leitosa que é jogada no folículo piloso (e não na supefície da pele, como acontece com as glândulas écrinas). É importante saber que o suor destas glândulas sofre ação de bactérias (que existem normalmente na pele). O suor apócrino depois que sofre ação destas bactérias fica com um odor característico. Esse mesmo que você está pensando. Ou seja, a melhor forma de controlar o mau cheiro das axilas é regular a atividade das glândulas apócrinas. Usar um produto que simplesmente tenha cheiro bom não resolve nada.
Como eu disse anteriormente, o suor tem a função de regular a temperatura do corpo. Quando a gente se exercita, o coração trabalha mais, o sangue circula mais e isso aumenta a temperatura. Então, as glândulas sudoríparas trabalham para não deixar a temperatura subir muito. O corpo perde líquido, claro. E por conta disso, perde peso. Reforçando: a perda de peso que acontece logo após o exercício é devida à perda de líquido pela transpiração. A perda de gordura e o aumento de massa magra (musculatura) vão acontecer depois, por outros mecanismos.
Conclusão 1: não tem nada de mais beber água, ou outra coisa depois de fazer ginástica.
Conclusão 2: aquelas famigeradas cintas plásticas que se usava nos anos 70 pra suar mais com a ginástica não adiantam nadinha. Ainda bem que pararam com aquilo. Ô coisa feia!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

os anexos da pele - parte 3: as unhas


As unhas são estruturas também formadas por queratina que crescem na falange distal dos dedos e artelhos. O aparelho ungueal é composto por 3 partes:
A lâmina, que é a unha prorpiamente dita, está aderida ao dedo no chamado leito ungueal.
As dobras ungueais envolvem a unha por todos os lados, exceto o lado de cima. Apresentam um prolongamento da camada córnea chamado cutícula que recobre a porção proximal da unha.
A matriz da unha fica logo abaixo da lâmina, contém células germinativas, ou seja, é a parte responsável por criar unha nova.
As unhas crescem mais ou menos 0,1mm ao dia nas mãos. Nos pés, mais devagar. É importante entender isso porque quando tratamos uma doença nas unhas, o resultado só vai ser notado quando toda aquela unha alterada for substituída por uma nova, o que pode levar de 6 meses a 1 ano. É um exercício de paciência e persistência.
A função das unhas é fundamentalmente protetora. Claro, são mais um alvo da vaidade feminina. Eu sou mulher, eu sei. Se bem que muitos homens também têm esta vaidade. Só não confessam. Aí é outra história...

os anexos da pele - parte 2: o crescimento dos pelos.


Ainda sobre os pelos, há uma outra coisa que vale a pena entender aqui: como os pelos crescem. Cada folículo piloso tem um ciclo que é composto de 3 fases.
A fase ANÁGENA é o momento em que os pelos crescem. No couro cabeludo, esta fase dura de 2 a 5 anos.
A fase CATÁGENA é o momento em que os pelos param de crescer. No couro cabeludo, dura cerca de 3 semanas.
A fase TELÓGENA é o momento em que os pelos se desprendem do folículo piloso. Isso mesmo: eles caem. Para nascer um outro pelo novinho. No couro cabeludo, esta fase dura de 3 a 4 meses.
A proporção de pelos num couro normal é aproximadamente a seguinte: 85% em fase anágena, 1% em fase catágena e 14% em fase telógena.
A partir daí, podemos fazer algumas reflexões.
Uma: Se temos cerca de 14 % dos nossos cabelos em fase telógena, é normal que percamos uma média de 100 a 120 fios de cabelo por dia, sem que isto seja considerado doença.
Duas: Se a duração de cada fase deste ciclo pode variar de pessoa para pessoa, podemos concluir que o crescimento dos cabelos não é igual para todos, inclusive em condições normais. Ou seja, nem todo mundo nasceu para ter um cabelão até a cintura.